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Porto de Paranaguá tem exportação recorde de grãos

O Porto de Paranaguá fechou março com a maior movimentação mensal já registrada no Corredor de Exportação. Foram embarcadas pelo porto paranaense 2,4 milhões de toneladas de soja, em grão e farelo. O volume é 51% maior que o movimentado no mesmo mês de 2019 e supera em mais de 180 mil toneladas o recorde anterior, de 2,2 milhões de toneladas, alcançado em junho do ano passado.

De acordo como diretor-presidente Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o resultado positivo, mesmo diante das adversidades da Covid-19, mostra a eficácia das medidas de segurança adotadas, desde janeiro, pela empresa pública. “Nossa preocupação com a saúde dos trabalhadores portuários, caminhoneiros e tripulantes sempre está em primeiro lugar. Precisamos garantir um ambiente seguro para que eles tenham confiança e mantenham os serviços que são essenciais para o País”.

Segundo ele, o novo recorde também comprova a força do agronegócio. “A safra foi muito boa e o câmbio foi favorável para as exportações. Os portos do mundo todo têm um papel importante para a segurança alimentar e estão inseridos em uma cadeia de negócios que gera milhões de empregos, no campo e na indústria”, completa.
CORONAVÍRUS – Os portos paranaenses foram os primeiros do Brasil a montar uma estrutura completa para o atendimento primário de saúde, no cais e no pátio de triagem de caminhões. Equipes médicas atendem 24 horas, todos os dias, com aferição de temperatura, orientações e o devido encaminhamento dos casos necessários.

A empresa pública também adquiriu 20 mil litros de álcool em gel; 144 litros de sabonete antisséptico (usados em ambientes hospitalares); 5 mil pares de luvas; 10 mil unidades extras de máscaras cirúrgicas; 21 tendas e cabines elevadas; 200 metros lineares de grade de isolamento, 32 chuveiros, 60 pias e lava-pés com hipoclorito de sódio.

SOJA – A exportação de soja foi a grande responsável pelo desempenho histórico. Nove terminais privados e dois públicos do complexo movimentaram 2 milhões de toneladas em grãos e cerca de 463,6 mil toneladas de farelo. A carga encheu, no mês, os porões de 40 navios.

O setor, que no primeiro bimestre do ano estava apreensivo com o atraso no plantio, comemora. Segundo Helder Catarino, representante da Interalli e um dos diretores da Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá (ATEXP), a falta de chuva no final do ano passado atrasou a colheita para o final de fevereiro e o início de março.

“Com o avanço da colheita no último mês, tivemos um cenário mais favorável. Boa oferta, portos com capacidade estática, espaço operacional para receber a colheita forte e uma programação de navios que garantiu a saída e o giro da mercadoria”, desatacou Catarino.

No primeiro trimestre, o Corredor de Exportação de Paranaguá movimentou 4,72 milhões de toneladas de granéis. Desse total, 3,3 milhões de soja em grão, 1 milhão de farelo de soja e 297 mil toneladas de milho. O volume movimentado nos três primeiros meses de 2020 é quase 12% maior que o registrado no mesmo período de 2019.

Expectativa é exportações manterem alta nos próximos meses

O diretor-presidente da empresa pública Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, estima que as exportações vão manter a alta nos próximos meses. O setor portuário considera as projeções atuais de demanda por alimentos e o bom ritmo da safra brasileira. Para os próximos meses são esperados 6,43 milhões de toneladas de soja, já comercializadas.

“O Governo do Estado adotou medidas muito firmes no combate ao novo coronavírus e deixou claro que as estradas e ferrovias, além das atividades essenciais para o transporte, como restaurantes, borracharias e mecânicas, devem permanecer abertas”, comenta Garcia.

O movimento de caminhões para descarga de granéis no Porto de Paranaguá está acima da média. Somente em março, 55.835 passaram pelo Pátio de Triagem da empresa pública. A quantidade supera em 5 mil veículos a marca histórica registrada em 2019, com 50,9 mil caminhões recebidos.

Na página do Departamento de Estradas de Rodagem (www.der.pr.gov.br) os motoristas encontram uma lista de estabelecimentos comerciais em funcionamento no entorno das principais rodovias paranaenses.

Fonte: AEN

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INCOTERM 2020. Afinal o que mudou?

Este é o “tema da moda em comex”. Aqui vamos fazer um resumão do que mudou, sendo importante esclarecer que o tema interessa mais à área comercial para orientar clientes e aos advogados que prestam consultoria jurídica em negócios internacionais.

Vamos lá ver o que mudou.

1. FCA: Agora o comprador pode instruir o transportador a emitir o BL a bordo para o vendedor após o embarque.

2. CIF e CIP: O CIF o seguro é somente durante o transporte; CIP o seguro terá cobertura máxima – Cláusula (A).

3. FCA, DAP, DPU e DDP. Presume transporte por meios próprios.

4. Inclusão de transparência das obrigações e segurança no transporte e custos envolvidos. Não terá mais “taxa surpresa” ao consignatário. Notas A9 e B9.

5. Inclusão da “Nota Explicativa” para detalhar os direitos e obrigações.

6. Substituição do termo DAT pelo DPU: Explicita que a entrega da mercadoria pode ocorrer em local nomeado, e não apenas em um terminal, o que será útil para depósitos contratados.

Vale ressaltar que as formalidades aduaneiras (desembaraço) nesse caso são de responsabilidade comprador/ importador.

Sidnei Lostado é formado em Direito; especialista em advocacia aduaneira e tributária

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Siscomex sai do ar em 2020, dando espaço a novas funcionalidades do Portal Único Siscomex

O Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), que entrou em operação a partir de 1993, sairá do ar em 2020, pois o governo federal está “migrando” para o Portal Único Siscomex – iniciativa de desburocratização e reformulação dos processos de importação, exportação e de trânsito aduaneiro. O objetivo dessa mudança é tornar esses fluxos mais eficientes e integrados entre o próprio governo e os operadores envolvidos no comércio exterior.

E uma das principais funcionalidades disponibilizadas pelo Portal Único Siscomex, desde 2018, é a Declaração Única de Importação (Duimp), espécie de documento digital do processo de importação, com informações que caracterizam a operação no âmbito aduaneiro, administrativo, comercial, financeiro, fiscal e logístico. No portal, os operadores do comércio exterior já fazem a Declaração Única de Exportação (Due), conhecida anteriormente como Declaração de Exportação (DE).

A Duimp vai substituir a Declaração de Importação (DI), Declaração Simplificada de Importação (DSI), Licença de Importação (LI) e a Licença Simplificada de Importação (LSI), as duas últimas no que se referem às inspeções. A ferramenta está sendo implantada de forma gradual e a expectativa inicial era de que todas as empresas importadoras e despachantes aduaneiros com certificado digital dessem início ao uso da Duimp em 2020. Mas a data exata ainda não estaria definida.

Em seminário sobre o programa brasileiro Operador Econômico Autorizado (OEA), ocorrido na última terça-feira, 10 de dezembro, em São Paulo, numa parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil (8ª Região Fiscal), representantes do programa teriam confirmado aos participantes que a Duimp está concluída em apenas 20% e que seriam necessários ao menos mais dois anos para ser totalmente implementada.

Seguindo os princípios do Portal Único Siscomex, a Duimp foi implementada para simplificar e desburocratizar os procedimentos aduaneiros na importação, de modo a reduzir o tempo e o custo do processo para os operadores e órgãos de controle, e, assim, tornar as empresas brasileiras mais competitivas no mercado internacional.

O projeto de reformulação do comércio exterior brasileiro é responsabilidade das equipes técnicas da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Já a iniciativa de desburocratização e integração dos processos de importação e exportação, introduzidas pelo Portal Único Siscomex, é resultado do compromisso assumido pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), no âmbito do Acordo de Facilitação de Comércio.

Mudanças exigem qualificação constante do profissional despachante

Já que a palavra de ordem no comércio exterior brasileiro é eficiência, essa também deve ser a busca constante do profissional despachante e do ajudante, principalmente no que se refere às novas funcionalidades disponibilizadas no Portal Único Siscomex.

E a Adab Brasil está trabalhando para ajudar seus associados a se qualificar e aperfeiçoar seus conhecimentos no setor, prospectando parcerias com instituições para oferecer cursos de formação e requalificação no ano de 2020, segundo informa o presidente da entidade, Valter Rezende.“Estive em Santos, nos últimos dias, temos uma agenda de reuniões, e já estamos conversando com profissionais e instituições para tentar garantir formação e ajudar a reinventar o profissional. Vem coisas boas por aí”, garantiu Rezende.

Fontes: Blogs Aprendendo a Exportar (Governo Federal), Allog e Faz Comex

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China é o destino final de 27,8% das exportações totais brasileiras até outubro, aponta Icomex da FGV

Rio de Janeiro – A China é o principal destino das exportações brasileiras, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), com 27,8% dos produtos exportados pelo Brasil. A diferença para o segundo colocado, os Estados Unidos, ficou em 14,7 pontos percentuais. A participação da China no comércio exterior brasileiro supera até a do bloco da União Europeia, que soma 16,3%. Os dados foram divulgados hoje (13).

A recessão na Argentina influenciou o percentual de 4,4% daquele país. Esse resultado é o segundo menor na série histórica, que começou em 2000. O outro desempenho desfavorável foi em 2002. Com queda no PIB de 10,9%, a participação da Argentina nas exportações brasileiras ficou em 3,8%.

O indicador, que calcula de forma mais detalhada o nível de atividade dos setores produtivos, analisa dados da Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e da Argentina. Além desses países, que compõem o grupo Demais da América do Sul, o Icomex inclui informações da China, dos Estados Unidos e da União Europeia. De acordo com a FGV, esses países/regiões somam 69,6% das exportações totais brasileiras no acumulado do ano até outubro. No mesmo período as importações representaram 66,9%.

Balança comercial

O Icomex indica que os superávits da balança comercial do Brasil são influenciados pelo comércio exterior com a China. No acumulado até outubro, o saldo da balança somou US$ 34,9 bilhões. Só com a China, foi US$ 21,4 bilhões. O grupo Demais da América do Sul teve saldo de US$ 6,4 bilhões e a União Europeia de US$ 2 bilhões.

Apesar de ser o principal mercado das compras externas brasileiras, a diferença dos percentuais nas importações da China no mês é menor em relação aos Estados Unidos e a União Europeia. No caso da América do Sul, a diferença é de 8,6 pontos percentuais.

Recuo

Segundo a FGV, os volumes exportados caíram em todos os mercados, com exceção dos Estados Unidos, que registrou aumento de 13,3%. A queda de 10% nos preços das exportações no período favoreceu o aumento de 2% no valor exportado, apesar da elevação em mais de 10% no volume. O petróleo foi o principal produto exportado, seguido das semimanufaturas de aço. Os destaques da lista das principais exportações com variação positiva são a gasolina (332%), o etanol (25%) e outras manufaturas (44%). Para a China, o volume exportado caiu 2,8% e a Argentina, que enfrenta recessão, registrou queda de 35,9% no volume e 38,4%, em valor.

O maior aumento nas importações foi registrado com os Estados Unidos, que tiveram de 13% de elevação no volume, seguido da China com 1,6% e recuo nos demais mercados. A principal importação do Brasil dos Estados Unidos são os óleos combustíveis e o principal produto exportado o petróleo bruto.

Na visão da FGV, o resultado mostra um comércio associado à questão da infraestrutura de refino no território brasileiro.

(*) Com informações da Agência Brasil

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Porto de Paranaguá faz embarque recorde de grãos em um único navio

O Porto de Paranaguá faz nesta semana a segunda maior operação de granéis de sua história em um único navio. Serão 89 mil toneladas de farelo de soja, carregadas no Kang Xin Hai, que tem 254 metros de comprimento e segue para o porto de Amsterdã, na Holanda. A operação movimenta o equivalente a 3 mil caminhões de produto e o embarque durará sete dias.

Com bandeira panamenha, o gigante atracou no dia 13 desse mês, vindo de Cingapura. Até o final da manhã desta segunda-feira (18), haviam sido carregadas 50.581 toneladas de grãos. A expectativa é de que o navio zarpe nessa terça (19).

“A escolha de Paranaguá para uma movimentação deste porte considera que temos capacidade e agilidade de escoamento. Não se trata apenas de receber o navio e ter estrutura de cais, mas também toda a parte de armazéns, esteiras de transporte, chegada organizada dos caminhões e qualidade na classificação dos produtos”, destaca o diretor de Operações da Portos do Paraná, Luiz Teixeira.

O carregamento é realizado no super berço 2014, que opera no sistema em pool, único no Brasil que permite que um mesmo navio receba mercadorias de diferentes produtores. A carga que vai encher os porões do Kang Xin Hai sairá de três terminais: Cotriguaçu (25 mil toneladas), Coamo (48,5 mil toneladas), Cargill (15,5 mil toneladas).

HISTÓRICO – Em maio deste ano, o Porto de Paranaguá recebeu o navio chinês Lan Hua Hai, também com 254 metros de comprimento – o equivalente a dois campos de futebol como o do Estádio Maracanã. A diferença entre o navio chinês e o panamenho está no embarque. O primeiro embarcou 90 mil toneladas, uma a mais que aquele que atracou na semana passada.

 

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Navios iranianos estão fundeados há um mês em Paranaguá por falta de combustível

Tripulantes de dois navios cargueiros de bandeira iraniana estão há mais de 30 dias a bordo, fundeados a 20 quilômetros do Porto de Paranaguá (PR). A empresa exportadora de Santa Catarina, que afretou os navios MV Bavand e MV Termeh, afirma que, embora dispusesse do combustível necessário, a Petrobras se negou a fornecê-lo sob a alegação de que os navios estão na listagem da OFAC (escritório de controle de ativos estrangeiros dos Estados Unidos, em tradução livre). O órgão é ligado ao departamento de tesouro do governo norte-americano. O processo tramita em segredo de Justiça a pedido da estatal brasileira.

O caso mais grave é do MV Bavand, que aguarda o fornecimento de combustível desde o dia 8 de junho, sendo que as 48,4 mil toneladas de milho, carga no valor de R$ 45,5 milhões, já se encontram carregadas e lacradas nos porões. O MV Termeh espera o insumo desde o dia 9 de junho para que possa seguir para atracar no Porto de Imbituba (SC) e carregar aproximadamente 60 mil toneladas de milho a granel, no valor aproximado de R$ 60 milhões. Ambos contam com autorização das autoridades competentes para concluir a exportação. O destino dos navios é o Porto Bandar Imam Khomeini, no golfo pérsico.

A Sapid Shipping, dona dos dois navios, solicitou a dois agentes marítimos 1.200 toneladas de combustível HFO 380 para o navio MV Bavand e 500t para o navio MVTermeh. A negativa foi dada ao armador no dia 5 de junho, poucos dias antes da chegada dos navios ao porto paranaense. Uma das agências marítimas contratadas alertou que o eventual término do combustível colocaria em grave risco a tripulação, o meio ambiente marinha e a navegação no entorno da embarcação. As empresas têm gastos de US$ 15 mil somente com demurrage (sobrestadia), além de despesas extras por dia de afretamento.

A Petrobras é a principal fornecedora do combustível para navios no Brasil e hoje produz cerca de 2% do bunker comercializado internacionalmente. O perfil de clientes que compram bunker da estatal é de armadores estrangeiros e nacionais do longo curso, armadores nacionais de cabotagem e demais navios a serviço da empresa. De acordo com a companhia, cerca de 70% do volume comercializado no ano passado foi para o atendimento a navios de armadores estrangeiros. Em 2016 e 2017, a venda anual do combustível marítimo pela Petrobras era, em média, de quatro milhões de toneladas.

A empresa exportadora apontou risco ao meio ambiente marinho, aos tripulantes e à carga, que pode ser condenada e recusada no país de destino. Ao menos dois tripulantes do navio MV Bavand precisaram ser desembarcados e levados a um hospital em Imbituba para buscar atendimento nesse período. Nos autos, a defesa cita uma decisão de outubro de 2018, na qual a Corte Internacional de Justiça determinou que os Estados Unidos deveriam remover todos os embargos quanto à exportação de alimentos e commodities agrícolas ao Irã. A empresa catarinense que afretou os navios fabrica produtos químicos, opera no comércio desses produtos, por meio da importação e exportação de diversos produtos. Recentemente, essa empresa importou 48 mil toneladas de ureia do Irã para seu processo produtivo.

Uma liminar do desembargador relator do processo na 2ª vara cível do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), concedida no último dia 4 de julho, obrigava a Transpetro a fornecer em caráter de urgência o combustível IFO 380 em quantidade suficiente para que os dois navios possam retornar ao Irã, concluindo a exportação de aproximadamente 100 mi toneladas milho a granel, cujo valor de mercado é da ordem de R$ 100 milhões. No entanto, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, cassou a liminar após recurso impetrado pela Petrobras. Como a decisão é preliminar, ainda cabe recurso ao colegiado da suprema corte.

Na liminar derrubada, o desembargador do TJ-PR, Fernando Paulino da Silva Wolff Filho, havia estabelecido o prazo de 72 horas corridas contado a partir da decisão para prestação do fornecimento do combustível, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, limitada sua incidência a 10 dias (R$ 500 mil). Caso a obrigação não fosse cumprida, a Justiça poderia tomar outras providências, dentre as quais a busca e apreensão do combustível. O desembargador relator entendeu que a Transpetro, independentemente da existência de outras empresas capazes de atender a demanda dessa exportadora, não poderia recusar o fornecimento dos produtos e serviços de relevante interesse para a economia nacional sob o argumento de temer eventuais sanções que poderia sofrer dos EUA.

Num primeiro momento, a União se absteve de uma manifestação conclusiva. No último dia 26 de junho, a Procuradoria da União no Paraná informou à justiça estadual que, devido ao pouco tempo concedido, não havia condições de afirmar ou negar o interesse de intervir na questão. O procurador se comprometeu a colher elementos junto ao Ministério das Relações Exteriores e, assim que recebidos, trazer ao conhecimento do juízo estadual. As demais pastas consultadas pela Justiça do Paraná (Minas e Energia; Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; e Defesa) informaram na ocasião que, sob o ponto de vista exclusivo de suas competências, não existir naquele momento interesse da União em intervir na demanda.

Procurada pela Portos e Navios, a Petrobras informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai comentar o assunto. Até o fechamento desta matéria, o Ministério das Relações Exteriores não havia respondido aos questionamentos da reportagem sobre o caso.

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Foco na oferta x demanda continuará elevando fretes marítimos

Uma melhor gestão da oferta e demanda de navios por parte dos armadores vem contribuindo para o fretes marítimos aumentarem. A avaliação é da Solve Shipping, que percebe um aumento gradativo dos fretes desde 2018, sobretudo a partir do quarto trimestre quando foram registrados aumentos de até 20% nos fretes de exportação do Brasil. A tendência, segundo a consultoria, é que os fretes fechem 2019 com média superior ao ano passado e que em 2020, além de um equilíbrio entre oferta e demanda ainda maior, os fretes também sejam impactados pela mudança de combustível dos navios. A avaliação do mercado é que os fretes continuarão a variar muito conforme a utilização dos navios e que a “receita” de negociação para uma determinada rota ou serviço não necessariamente se aplicará às demais.

A leitura é que os armadores estão utilizando todas as estratégias disponíveis para recuperarem as perdas registradas nos últimos 10 anos, inclusive com a falência de grandes armadores como a sul-coreana Hanjing Shipping. Os grandes proprietários de navios sabem que enquanto o frete cai rápido, por outro lado a subida dos preços demora. Um exemplo é que, nos dois primeiros meses de 2019, foram retiradas 35 viagens entre Ásia e EUA, o que representa redução de 20% nessa rota. As empresas também anunciaram mais de 10 cancelamentos de viagens na mesma rota para março e abril. Já na rota Brasil-Ásia, com o cancelamento de três escalas no mês de março, houve reduções de 19% e 12,5% nas capacidades de importação e de exportação, respectivamente.

Muitas vezes é mais vantajoso para o armador bancar os custos de retirar um navio de circulação e mantê-lo parado por uma viagem do que arcar com os custos da perda de receita gerada ao operá-lo por meses com baixa utilização, pressionando os fretes pra baixo. “Os armadores estão fazendo o dever de casa deles para manter certo equilíbrio oferta x demanda para que os fretes parem de cair e voltem a subir”, analisa o sócio-consultor da Solve, Leandro Carelli Barreto.
Barreto considera a diminuição do número de players no mercado como processo de seleção natural, fruto da sobre capacidade que o setor vivencia há 10 anos. A primeira onda veio com a crise econômica mundial de 2008, que fez com que os armadores: reduzissem a velocidade dos navios (para aumentar a demanda por navios), demolissem navios antigos, cancelassem encomendas e postergassem entregas. A segunda ocorreu entre 2011 e 2012, quando o preço do petróleo subiu muito e gerou uma nova corrida aos estaleiros em busca dos mega porta-contêineres da ordem de 14.000 e 15.000 TEUs visando economia de escala como forma de redução do custo unitário de transporte. Nos últimos três anos, porém, houve queda drástica no número de encomendas para construção naval em todo o mundo.

O sócio-consultor da Solve explica que a oferta e a demanda estão se encontrando e há algum tempo as encomendas de novos navios voltaram a padrões mais racionais. “Não fosse a guerra comercial entre EUA e China, que está fazendo o comércio das economias europeia e americana desacelerarem, seria possível sentir já em 2019 uma pressão interessante sobre o frete”, avalia Barreto.

Embora o frete dos grandes porta-contêineres segue tendência de alta no mundo inteiro. Os fretes marítimos no Brasil subiram entre 10% e 20% no último trimestre de 2018, de acordo com levantamento divulgado pelo consultoria europeia Dynamar/Dynaliners, sendo que para Ásia esse aumento foi de 20%, para Europa e Estados Unidos subiram quase 15%, enquanto na importação da Europa os preços cresceram acima de 10%. A Solve observa que essa alta fez com que algumas commodities que vinham em processo de conteinerização, celulose e soja, por exemplo, voltassem para navios de carga geral já a partir de janeiro de 2019.

Importadores e exportadores precisarão estar atentos às movimentações dos armadores para não serem pegos de surpresa com aumento de fretes, sobretudo porque nos últimos anos a tendência dos preços era de queda. Os usuários precisarão cada vez mais minimizar o impacto dessas oscilações e saber o momento de repassá-las para o custo do produto. Enquanto armadores têm capacidade de ajustar oferta e demanda, será mais difícil para os clientes deles conseguirem reduzir o frete em 2019 e 2020. No cenário mais conservador, os fretes vão parar de cair. “Entender as tendências de mercado é importante para importadores e exportadores irem mais embasados nas negociações de frete”, observa Barreto.

A questão do combustível com menor teor de enxofre a partir de 2020 é um ponto que não deve incomodar tanto os exportadores, voltados para conseguir negociações melhores do que as de seus concorrentes. Independente do reequilíbrio entre oferta x demanda de navios, as estimativas apontavam que os fretes no mercado internacional já aumentariam perto de US$ 200/TEU, só em função do custo do combustível. Barreto acredita que, como o bunker aumentará no mundo inteiro, não atrapalhará a competitividade dos produtos brasileiros.

Por Danilo Oliveira

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Estivadores do Porto de Santos planejam greve a partir do dia 1º

Os estivadores do Porto de Santos planejam entrar em greve, por tempo indeterminado, a partir das 7h do próximo dia 1º, em protesto contra a vinculação de mão de obra nos terminais de contêineres.

Na data, entrará em vigor a decisão judicial que permite a essas empresas atuarem apenas com mão de obra avulsa vinculada (estivadores contratados com base na CLT).

A possibilidade de greve foi anunciada pelo presidente do Sindicato dos Estivadores (Sindestiva), Rodnei da Silva, na terça-feira (19). A paralisação será definida pela categoria no dia 26.
A Câmara de Contêineres do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) afirmou que não comentaria o anúncio.

Fonte: A Tribuna

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Portaria do Mapa define locais para receber ou exportar os produtos de origem animal

A partir da próxima sexta-feira (25), todos os produtos de origem animal que forem exportados ou importados pelo Brasil, terão que ser despachados por apenas 21 pontos do país, conforme determina a Portaria 183 do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Estes locais (aeroportos, portos e outros) respondem por 95% das operações envolvendo tais produtos. Os locais estão definidos no anexo da portaria.

O Vigiagro fez um levantamento dos pontos de maior movimentação dessas cargas. Também foi levada em conta a estrutura disponível para o recebimento dos produtos (câmaras frigoríficas, entreposto). As 21 selecionadas atenderam todos os requisitos. Nas outras unidades eram eventuais a importação e exportação.

Segundo o chefe substituto da Divisão de Operações do Vigiagro, Cid Rozo, “a principal razão da mudança é o foco na vigilância agropecuária, com atenção redobrada à saúde pública e à segurança alimentar, pois os auditores fiscais federais agropecuários que estão trabalhando nessas unidades receberam treinamento para atuar em cima desses produtos específicos. Os auditores sabem quais são os riscos intrínsecos aos produtos e como atuar se encontrarem alguma inconformidade”.

No treinamento dos auditores foram mostradas as inconformidades, interceptações, quais são realmente graves e onde o fiscal deve direcionar seu esforço na mercadoria que está sendo analisada. Com toda essa especialização será acelerada a operação de importação e exportação.

“Na prática, serão criados corredores de importação e exportação especializados para os produtos. Quem atua na unidade estará habilitado para a fiscalização específica”, explica Cid Rozo.

(*) Com informações do Mapa

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Operações superam expectativa da Codesp

O Porto de Santos movimentou 133,1 milhões de toneladas no ano passado. O volume superou as projeções da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a autoridade portuária, que apontavam a operação de 131,5 milhões de toneladas entre janeiro e dezembro de 2018.

Os dados fazem parte do relatório divulgado pela Gerência de Estatísticas da autoridade portuária na tarde desta terça-feira (22). O material destaca, entre outros números, que o movimento de mercadorias cresceu 2,5%, impulsionado pelo aumento de carga solta em novembro. Além disso, a esperada desaceleração nas operações de contêineres em dezembro não se confirmou.

Entre janeiro e dezembro, os embarques somaram 94,3 milhões de toneladas. A marca é recorde e representa um aumento de 0,8% sobre a movimentação de 2017, quando 93,5 milhões de toneladas foram embarcadas.
Neste período, o destaque foi a expansão de 24,9% nos carregamentos de soja a granel, totalizando 20,5 milhões de toneladas. As exportações do produto em farelo cresceram, desta vez, 18,3%, chegando a 5,9 milhões de toneladas. Com isso, o complexo soja cresceu 22,8% em relação ao ano anterior, com a marca recorde de 26,6 milhões.

Em contrapartida, os embarques de milho e açúcar caíram em relação a 2017. No primeiro caso, a redução foi de 11,3% e as exportações da commodity somaram 12,6 milhões de toneladas.

Já os carregamentos de açúcar sofreram uma queda de 27% e chegaram a 15 milhões de toneladas, expressiva redução diante das 20 milhões de toneladas exportadas em 2017.

“O resultado recorde registrado em 2018 deve ser ainda mais exaltado considerando que duas das principais cargas movimentadas no Porto de Santos tiveram grandes quedas, devido a fatores climáticos e de mercado”, ressalta o diretor de Relações com o Mercado e Comunidade da Codesp, José Alfredo de Albuquerque e Silva.

Por outro lado, o crescimento mais expressivo de movimentação foi o da celulose, com 51,4% de aumento em relação a 2017. A soma atingiu a marca de 4,6 milhões de toneladas no ano passado.

Importações

No ano passado, as importações pelo Porto de Santos somaram 38,2 milhões de toneladas. O crescimento em relação a 2017 foi de 6,9%, já que foram movimentadas 36,3 milhões de toneladas no ano anterior.

Entre os desembarques, a carga mais movimentada foi o adubo, que somou 4,5 milhões de toneladas. O volume é 10,7% superior ao verificado em 2017, quando 4,1 milhões de toneladas da mercadoria chegaram ao País pelos terminais do cais santista.

A importação de trigo cresceu 20% no ano passado, atingindo a marca de 1,3 milhão de toneladas. Já os desembarques de sal caíram 2,5%, atingindo 965.716 toneladas, segundo o relatório anual da Companhia Docas do Estado de São Paulo.

Fonte: A Tribuna