MDIC lança Chatbot Comex para facilitar acesso a informações de comércio exterior

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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou o Chatbot Comex, um assistente virtual que promete tornar mais rápido, seguro e fácil o acesso a informações oficiais sobre importação e exportação. A ferramenta gratuita funciona 24 horas por dia diretamente na página do Siscomex e não exige login, tornando o atendimento mais ágil e acessível para empresas e cidadãos interessados no comércio exterior.

O Chatbot Comex utiliza inteligência artificial para fornecer respostas fundamentadas em legislação, manuais e portais oficiais do governo federal, garantindo informações confiáveis e atualizadas. Quando necessário, o sistema também direciona o usuário para o Comex Responde, serviço de atendimento humano que oferece suporte especializado.

A iniciativa tem como objetivo integrar órgãos anuentes e usuários dos sistemas de comércio exterior, promovendo uma experiência mais transparente e assertiva. Além disso, ao reduzir consultas recorrentes de atendimento, a ferramenta contribui para a otimização da gestão pública, tornando o processo mais eficiente tanto para o governo quanto para empresas e profissionais do setor.

Segundo a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, “Estamos aproximando o governo das pessoas e reduzindo barreiras para quem quer empreender e exportar. É uma ação que traz mais tecnologia para o setor público e amplia a nossa capacidade de atender brasileiros interessados no comércio exterior”.

Para tornar a experiência ainda mais acolhedora, o Chatbot ganhou um avatar moderno e confiável, com traços suaves que humanizam o atendimento digital. A linguagem utilizada é clara, objetiva e livre de jargões, facilitando o entendimento de usuários com diferentes níveis de familiaridade com comércio exterior.

O Chatbot Comex representa mais um passo do governo brasileiro para inovar, simplificar e facilitar o comércio exterior, aproximando cidadãos, empresas e órgãos públicos, além de contribuir para o crescimento das exportações brasileiras.

Para acessar e utilizar o Chatbot Comex, basta visitar a página do Siscomex e digitar sua dúvida.

Fonte: agenciagov.ebc.com.br

Importações brasileiras batem novo recorde em 2025 e redesenham o cenário do comércio exterior

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O Brasil vive um momento marcante no comércio exterior. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as importações devem alcançar US$ 287,1 bilhões em 2025, um aumento de cerca de 4,8% em relação ao ano anterior.

Mesmo com o país mantendo um superávit comercial estimado em US$ 60,5 bilhões, o avanço das compras externas mostra a força da economia e, ao mesmo tempo, impõe novos desafios para o equilíbrio da balança comercial.

Esse movimento é impulsionado principalmente por três fatores:

  • Bens de capital, com crescimento superior a 26% em relação a 2024;

  • Bens intermediários, que devem registrar alta de 9,4%;

  • Bens de consumo, com aumento estimado de 4%, acompanhando o aquecimento do mercado interno.

No acumulado até setembro, as importações somaram aproximadamente US$ 212,3 bilhões, alta de 8,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. Esses números indicam que o país deve encerrar o ano com resultado recorde em movimentação de comércio exterior.

Para empresas que atuam com importação e exportação, como a NIX, o cenário reforça a importância de estratégias logísticas eficientes, planejamento de câmbio e diversificação de fornecedores globais. O aumento no volume de importações representa dinamismo econômico, mas também exige atenção redobrada às variações de custos e prazos no transporte internacional.

O desempenho das importações e exportações brasileiras mostra que o país segue em ritmo de expansão nas trocas comerciais, consolidando sua posição entre os principais players do comércio global.

Fonte: CNN Brasil — Importações atingirão recorde em 2025 e afetarão a balança comercial, diz CNI

🇧🇷🤝🇮🇳 Brasil e Índia reforçam parceria e miram comércio de US$ 20 bilhões até 2030


Captura de Tela 2025-10-17 às 17.41.16O Brasil e a Índia deram mais um passo para fortalecer suas relações comerciais. Os dois países concordaram em aprofundar o Acordo Preferencial de Comércio (PTA) dentro do Mercosul e estabeleceram a meta de elevar o volume bilateral para US$ 20 bilhões até 2030, atualmente, o comércio entre as duas nações gira em torno de US$ 12 bilhões por ano.

O acordo visa reduzir tarifas, ampliar o intercâmbio de produtos industriais e agrícolas e incentivar investimentos bilaterais, especialmente nos setores de tecnologia, energia e infraestrutura.
A iniciativa reflete o esforço do Brasil em diversificar mercados e reduzir a dependência comercial de parceiros tradicionais, como Estados Unidos e China.

📊 Essa aproximação também abre espaço para oportunidades de exportação e importação em novas cadeias logísticas entre América do Sul e Ásia, reforçando a importância estratégica do comércio internacional brasileiro.

🔗 Fonte: The Economic Times – “India, Brazil agree to deepen economic ties; set $20 billion trade target by 2030

Exportações para os EUA registram queda de 25,7% após novas tarifas

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As exportações brasileiras de produtos afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos recuaram 25,7% em setembro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A medida reflete os impactos diretos do pacote de sobretaxas anunciado recentemente pelo governo norte-americano, que elevou tarifas de até 100% sobre itens como produtos farmacêuticos, caminhões pesados, armários e outros bens manufaturados.

A redução nas vendas externas evidencia a sensibilidade das exportações brasileiras diante de mudanças na política comercial dos EUA, um dos principais destinos dos produtos nacionais. O recuo foi observado especialmente nos segmentos industriais de maior valor agregado, que enfrentam agora desafios de competitividade no mercado norte-americano.

Especialistas apontam que a tendência pode se manter nos próximos meses, caso não haja revisão das tarifas ou adaptação das empresas exportadoras às novas condições comerciais.

Para o comércio exterior, o cenário reforça a importância da diversificação de mercados e do fortalecimento da presença brasileira em outros destinos estratégicos, reduzindo a dependência das oscilações tarifárias impostas por grandes economias.

Fonte: Poder360

EUA anunciam pacote de tarifas multissetoriais e provocam agitação no comércio global

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Na última semana, os Estados Unidos divulgaram um ambicioso pacote de tarifas que promete provocar repercussões profundas no comércio internacional — especialmente para empresas que exportam para o mercado norte-americano. A nova rodada de imposições tarifárias entra em vigor já em outubro/novembro e traz ajustes contundentes em setores estratégicos.

Principais medidas anunciadas

Embora ainda não haja confirmação oficial de todas as alíquotas — em parte porque parte das decisões está em fase de regulamentação — os anúncios divulgados até agora contemplam:

  • 100% de tarifa sobre produtos farmacêuticos de marca ou patenteados

  • 25% sobre caminhões médios e pesados

  • 50% para armários de cozinha e banheiro

  • 30% para estofados

Essas tarifas, quando aplicadas, visam fortalecer a indústria doméstica dos EUA. Porém, para empresas que exportam para aquele país, as consequências são imediatas: custos adicionais, pressão sobre margens e renegociação de contratos.

Vale destacar um ponto de interesse recente: em outubro, o presidente Donald Trump afirmou que todas as importações de caminhões médios e pesados entrarão sujeitas a uma tarifa de 25% a partir de 1º de novembro de 2025, em uma extensão da política tarifária que já visava veículos pesados. CNN Brasil+1

Impactos esperados e riscos para exportadores

A adoção de tarifas elevadas impõe uma série de desafios para quem depende do mercado americano. Alguns impactos prováveis:

  • Elevação de custo: as tarifas aumentam os preços dos produtos importados nos EUA, o que diminui a competitividade daqueles que não podem repassar totalmente o custo ao cliente.

  • Pressão de margem: produtores e distribuidores terão que absorver parte do impacto ou negociar descontos com fornecedores ou compradores.

  • Revisão estratégica: será essencial reavaliar rotas logísticas, fornecedores e mercados-alvo para mitigar os efeitos negativos.

  • Incerteza regulatória: em meio a um ambiente tarifário volátil, estratégias fixas correm risco de obsolescência rápida.

Segundo estimativas do governo brasileiro (Ministério da Fazenda por meio da Secretaria de Política Econômica), a imposição de tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras pode provocar um impacto de 0,2 ponto percentual no PIB brasileiro no período entre agosto de 2025 e dezembro de 2026 — embora esse efeito seja considerado “modesto” no agregado, setores específicos poderão sofrer impactos bastante mais intensos. Reuters

Reações e medidas nacionais

No Brasil, o anúncio provocou reações expressivas da indústria e do agronegócio, que alertam para quedas nas exportações e dificuldades em absorver perdas. Senado Federal Parlamentares também vêm debatendo ações compensatórias, por meio de medidas de estímulo e apoio setorial.

O país conta, ainda, com mecanismos diplomáticos e jurídicos (como a atuação na OMC) para contestar sanções tarifárias que possam ferir regras de comércio internacional.

Como a NIX pode ajudar sua empresa

Em um momento de instabilidade nas relações comerciais globais, adaptar-se rapidamente é vital. Na NIX, oferecemos suporte estratégico para:

  • reconfigurar rotas e cadeias logísticas

  • recalcular margens e revisar contratos de exportação

  • mapear mercados alternativos

  • antecipar cenários regulatórios e tarifários

Se sua empresa exporta para os EUA — especialmente nos setores farmacêutico, mobiliário ou transporte — este é o momento de agir com planejamento e expertise.


Fonte das informações citadas:

  • CNN Brasil (sobre tarifa de caminhões) CNN Brasil

  • Gazeta do Povo (sobre tarifa de 25% para caminhões importados) Gazeta do Povo

  • Ministério da Fazenda / SPE, via Reuters (estimativa de impacto no PIB) Reuters

  • Rádio Senado / anúncio da reação da indústria brasileira

Temporais Devastadores Assolam Guangdong e Guangxi

Por: NAC Shipping

Moradores das províncias chinesas de Guangdong e Guangxi enfrentaram uma série de fortes tempestades e grandes tornados, deixando um rastro de destruição e desolação.

Segundo relatos da mídia estatal chinesa, várias áreas foram afetadas, resultando em um número significativo de mortos, feridos e danos materiais extensos.

A cidade de Guangzhou relatou oficialmente 5 mortes, 33 feridos e a destruição ou danificação grave de 141 fábricas.

Os portos próximos, incluindo Foshan, Nansha, Hong Kong e Shenzhen, entre outros, estão enfrentando desafios operacionais devido às condições climáticas adversas. As tempestades e tornados estão causando interrupções nas operações portuárias e aeroportuárias, resultando em atrasos no carregamento e descarregamento de contêineres, bem como vários voos foram cancelados nos últimos dias nas mesmas províncias por conta das chuvas fortes e inundações.

Autoridades locais estão trabalhando em conjunto para mitigar os impactos das condições climáticas extremas e restaurar a normalidade nas operações dos portos e aeroportos. A segurança e a eficiência continuam sendo as principais prioridades enquanto a região se recupera desses eventos devastadores.

Fonte: https://nacshipping.com.br/blog/

Dia do Despachante Aduaneiro

Hoje, 25 de abril, celebramos o Dia do Despachante Aduaneiro!

Felicitamos àqueles que contribuem com um papel fundamental na facilitação das operações de importação e exportação, com a movimentação da economia do país e na garantia de que nossos negócios alcancem os mercados globais.

Parabéns a todos os despachantes aduaneiros pelo compromisso com o sucesso do comércio exterior!

Dia do despachante (1)

Porto de Santos movimenta 95,5 milhões de toneladas até Julho, alta de 7,3% e maior marca para o período.

Por: Equipe Comex do Brasil.

Santos (SP) – O desempenho da movimentação de cargas no mês de julho e no acumulado dos sete primeiros meses do ano no Porto de Santos atingiu índices de crescimento significativos. Apresentando aumento contínuo no acumulado do ano, o Porto totalizou 95,5 milhões de toneladas, aumento de 7,3%, a maior marca para esse período. O resultado de julho totalizou 14,5 milhões de toneladas (melhor marca para esse mês), 15,3% acima do mesmo período de 2021.

As exportações responderam pela maior parcela desse volume ao somarem 69,7 milhões de toneladas (+8,6%) e as importações atingiram 25,7 milhões de toneladas (+4,0%).

O milho foi o grande destaque na movimentação de cargas, totalizando 2,3 milhões de toneladas no mês (+104%) e 4,1 milhões de toneladas no acumulado do ano até julho (+132%).

A carga conteinerizada também cresceu dois dígitos (+10,9%) no mês de julho, somando 440,7 mil TEU (um contêiner de 20 pés), segunda maior marca histórica e a maior para o mês, e 2,8 milhões de TEU nos sete primeiros meses, aumento de 1,6%.

No acumulado de ano ganharam destaque, também, os embarques do complexo soja (soja em grãos e farelo de soja), com 28,4 milhões de toneladas (+10,3); da celulose, com 4,6 milhões de toneladas (+59,9%); da carne, com 1,3 milhão de toneladas (+36,1%); e do óleo diesel e gasóleo, com 1,3 milhão de toneladas (+23,7%). As descargas de fertilizantes totalizaram 4,8 milhões de toneladas (+17,3%).

No mês de julho sobressaíram-se, ainda, os embarques de açúcar, com 2,1 milhões de toneladas (+9,2%); de celulose, com 688,0 mil toneladas (+57,5%); e de óleo diesel e gasóleo, com 163,9 mil toneladas (+21,9%). Nas descargas, destaque para o sal, com 95,1 mil toneladas (+184,9%), e para o trigo, com 117,1 mil toneladas (+42,2%).

O fluxo de navios também cresceu, com 465 atracações no mês de julho (+16,0%) e 3.007 no acumulado do ano (+5,2).

Os granéis sólidos somaram 49,4 milhões de toneladas no acumulado do ano (melhor marca para o período), alta de 9,9%. A participação da soja em grãos nesse volume foi de 51,2%; do açúcar 20,2%; do farelo de soja 11,9%; e do milho 9,2%.

Os granéis líquidos atingiram 11,0 milhões de toneladas, crescimento de 3,5%, também a melhor marca para o período. Nesse segmento a participação do óleo diesel e gasóleo foi de 24,2%; do óleo combustível 18,7%; dos sucos cítricos 13,5%; da soda cáustica 8,6%; da gasolina 6,9%; e do álcool 4,5%.

Corrente Comercial

A participação do Porto de Santos na corrente comercial brasileira atingiu 28,9% em julho (US$ 100,796 milhões). Das transações comerciais nacionais com o exterior que passaram pelo Porto de Santos no período, 31,3% tiveram a China como país parceiro. São Paulo permaneceu como o Estado com maior participação (52,7%) nas transações comerciais com o exterior por meio do complexo portuário de Santos.

Fonte: https://www.comexdobrasil.com/porto-de-santos-movimenta-955-milhoes-de-toneladas-ate-julho-alta-de-73-e-maior-marca-para-o-periodo/

Dados da balança de fevereiro ainda não refletem conflito na Ucrânia

De acordo com o Ministério da Economia, não houve tempo ainda para ter qualquer efeito direto do conflito nas importações e exportações brasileiras.

Lorenna Rodrigues, do Estadão Conteúdo.

Operação padrão da Receita afeta importação de diesel, cerveja e máquinas… – Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2022/01/25/operacao-padrao-da-receita-afeta-importacao-de-diesel-alimentos-e-maquinas.htm?cmpid=copiaecola

Fabrício de Castro

Do UOL, em Brasília

25/01/2022 04h00

A operação padrão da Receita Federal, iniciada no fim de dezembro, já afeta a importação de pelo menos três classes de produtos no Brasil: combustíveis, alimentos e bebidas (como vinhos e cervejas) e máquinas industriais. Associações setoriais ouvidas pelo UOL afirmaram que, com a maior demora na liberação de mercadorias, o custo de armazenagem está subindo, o que também pode elevar os preços ao consumidor final.

Desde 24 de dezembro, auditores da Receita Federal adotaram a operação padrão —também conhecida como operação tartaruga— na liberação de produtos nas alfândegas. Nela, os auditores fazem uma fiscalização mais rigorosa de documentos e mercadorias, o que eleva o tempo em operações de importação e exportação. Com o movimento, os servidores buscam pressionar o governo por aumento de salários.

Embora a operação tenha começado há poucas semanas, o setor de combustíveis já foi impactado. O presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo, afirma que algumas liberações que duravam um ou dois dias estão levando muito mais tempo.

Normalmente, quando os associados da Abicom registravam uma DI [Declaração de Importação], ela era liberada pela Receita no mesmo dia ou no dia seguinte. Agora, tenho associado com DIs registradas ainda em 2021 e que até hoje não foram liberadas. Mais de 17 dias sem liberação. Sérgio Araújo, presidente-executivo da Abicom.

Conforme Araújo, o setor de importação é responsável por 25% do diesel consumido no Brasil. No caso da gasolina, o porcentual é de 10%. “O impacto no caso da gasolina é menor, porque o combustível pode ser substituído pelo etanol, produzido por aqui, nos carros flex. Mas a dificuldade na importação de diesel tem um efeito grande sobre o mercado.”.

Vinhos, cervejas e máquinas também sofrem

O presidente da ABBA (Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas), Adilson Carvalhal Júnior, afirma que a operação dos auditores da Receita também já prejudica a importação de alimentos e bebidas. A ABBA reúne cerca de 150 empresas que atuam no comércio exterior, boa parte delas do setor de bebidas (vinhos e cervejas). “Já está mais difícil trazer o produto para o Brasil. Ele está ficando mais tempo na zona primária, para liberação. Isso gera custos”, diz Carvalhal Júnior. 

Segundo ele, a liberação de mercadorias para o setor no porto levava normalmente duas ou três semanas. Com a operação padrão da Receita, as estimativas subiram para cinco a sete semanas. “Isso é custo nosso. A armazenagem no porto tem um valor.” O presidente da Abimei (Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais), Paulo Castelo Branco, relata problemas semelhantes.

“Há empresas do agronegócio que compraram máquinas no segundo semestre, para que chagassem agora. Elas investiram nos equipamentos para a colheita a partir de março e abril”, afirma. Segundo Castelo Branco, os prazos estão ameaçados. A Abimei reúne hoje cerca de 60 empresas, a maior parte delas multinacionais.

Custo maior pode chegar ao consumidor

Os representantes das associações setoriais ouvidos pelo UOL foram unânimes em afirmar que as dificuldades na importação de mercadorias, em função da lentidão da Receita, podem elevar os preços dos produtos cobrados do consumidor final. Sérgio Araújo, da Abicom, afirma que o custo diário de um navio que transporta 40 mil metros cúbicos de diesel é de US$ 22 mil. Se a embarcação ficar parada no porto, sem poder descarregar, o valor precisará ser bancado pelo importador.

“Ainda não temos registro dessa ocorrência, mas o tempo de estocagem no porto tem aumentado”, relata. Esse custo de estocagem varia conforme contrato fechado pelo importador e o porto. O receio do setor é de que, com o movimento da Receita, o custo maior com a estocagem —no porto ou em navios— acabe sendo repassado e chegue ao consumidor final de diesel. Adilson Carvalhal Júnior, da ABBA, calcula que o tempo maior de armazenamento dos produtos importados pode elevar em 10% as despesas dos associados.

“Achamos que pode gerar um impacto de até 10% no custo, dependendo do produto. Se o importador de alimentos e bebidas vai repassar tudo isso, é difícil saber, porque depende de sua estratégia de negócios”, acrescenta. O movimento dos auditores da Receita Federal preocupa muito. Ele é como uma briga entre pai e mãe: a gente não quer se envolver, mas acaba apanhando. É válido protestar, mas punir o mercado por causa disso é desproporcional. Mercado e consumidor podem pagar uma conta que não precisam. Adilson Carvalhal Júnior, presidente da ABBA.

Castelo Branco, da Abimei, afirma que o movimento na Receita pode encarecer o preço de máquinas industriais na ponta final. “Se você precisa atender a demanda de mercado, mas não recebe a máquina, isso gera menos oferta que demanda. O preço sobe”, diz. “O povo não merece isso neste momento em que todos tentam sair da crise. O consumidor não tem culpa.”.

Impacto no setor de saúde Desde o início do movimento, o Sindifisco Nacional —sindicato que representa os auditores fiscais da Receita Federal— vem afirmando que a operação padrão não atingiria algumas categorias de produtos, como medicamentos e insumos para o setor de saúde, cargas vivas e alimentos perecíveis. Conforme o sindicato, existe uma preocupação especial com os produtos do setor de saúde, em função da pandemia de covid-19. Na última quinta-feira (20), a Abraidi (Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produto para Saúde) realizou uma enquete com seus associados, que participavam de uma conferência virtual. Em um universo de 43 empresas, 33 delas (77%) disseram ter enfrentado ou percebido algum problema com a importação de produtos da área de saúde nas duas semanas anteriores. Entre os problemas citados estão atrasos na liberação de produtos e na análise de documentos. Entre as empresas ligadas à Abraidi, estão importadores de próteses, órteses, implantes e equipamentos de proteção individual. No caso de próteses e órteses, 40% do mercado brasileiro é de importados, conforme a associação.

Em função da pandemia, os auditores da Receita estavam liberando normalmente produtos para a área de saúde. Mas nossos associados têm percebido dificuldades. Talvez não seja uma situação grave a ponto de desabastecimento, mas, se o movimento evoluir para uma greve ou permanecer por mais tempo, poderemos ter um problema maior. Bruno Bezerra, diretor-executivo da Abraidi Em conversa com o UOL, o presidente do Sindifisco, Isac Falcão, afirmou que mercadorias da área de saúde estão “passando normalmente” pelas alfândegas.

“Não admitimos, em hipótese nenhuma, que algum equipamento de saúde tenha morosidade”, diz Falcão. “Se isso está acontecendo, a pessoa responsável pela carga tem que procurar a autoridade do dia e informar a circunstância.”

Efeito econômico

Falcão afirma que, com o movimento dos auditores, o impacto sobre os diferentes setores da economia é inevitável. Cada categoria profissional, quando faz uma mobilização, reivindicando algum direito, cria impacto em algum setor. Não há uma mobilização que não impacte. Entendemos que o movimento dos auditores gera certo desconforto. Isac Falcão, presidente do Sindifisco.

Os auditores da Receita possuem duas demandas principais: o aumento do orçamento para atuação do órgão em 2022 e a regulamentação de um bônus por produtividade, criado por meio de lei em 2017. O bônus nunca foi pago aos servidores. “Os auditores têm um acordo com o governo federal que não é cumprido há cinco anos”, afirma Falcão, em referência ao bônus. “Será que estes segmentos [da economia] esperariam cinco anos para o cumprimento de um acordo?”, acrescenta, referindo-se às associações que manifestaram descontentamento com a operação padrão. Conforme Falcão, o movimento continuará até que as reivindicações sejam atendidas. Atualmente, conforme o sindicato, praticamente todos os auditores que atuam na atividade aduaneira no Brasil —cerca de mil trabalhadores— estão participando da operação padrão.

Receita e Ministério da Economia

A Receita Federal e o Ministério da Economia foram questionados pelo UOL sobre os efeitos da operação padrão dos auditores. Eles não se pronunciaram.